quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

E com as Vitaminas...

...voltou a minha vontade de apertar o pescocinho a todas as pessoas que decidem criticar a forma como arrumo as minhas coisas cá em casa. Está certo que não são muitas pessoas. Na verdade, é só uma. Mas tem pescoço, e a minha vontade é apertá-lo.





Que é a mesma coisa que dizer:
...voltou o meu humor. Na verdade, só tenho vontade de lhe fazer festinhas e de me enrolar nele de cada vez que ele se senta ao meu lado no sofá. 

Finalmente, vitaminada!

Depois de alguma resistência estúpida, fui à farmácia comprar Vitaminas. 

aqui tinha falado do efeito que este Inverno andava a ter em mim, e passado muito pouco tempo, a situação agravou-se. O cansaço que andava a sentir ultimamente e o sentimento de energia completamente esgotada não podiam ser só culpa da bendita licença de maternidade e do facto de ser mãe a tempo inteiro. Os dias de uma mãe em casa podem, de facto, ser bastante esgotantes. Mas não é normal sentir uma nuvem negra em cima da cabeça e o peso de uma das Torres Petronas na parte de trás do pescoço todos os dias, de manhã à noite. Agora sei que a falta de vitamina D nos atira directamente, e não muito lentamente, até à valeta mais próxima. 

Em 4 invernos suecos escuros e deprimentes, nunca senti que precisasse de suplementos, pois arranjava sempre entretenimento. Trabalho com fartura, amigos, ginásio, e quando achava que estava assim um bocado mais em baixo, dava um mimo a mim própria (uma ida ao cinema, ao cabeleireiro, ou uns trapos novos para estrear em breve, grandecíssima fútil).

Mas desta vez, senti-o de tal forma, que a certa altura tinha o macho mais velho desta casa a olhar-me de esguelha a cada 10 minutos, para se assegurar de que não haviam indícios de algo mais grave. Tipo vontade de saltar da varanda ou assim. Segundo ele, andei sem sorrir durante dias "e isso, para uma pessoa cujas gargalhadas se costumam ouvir no rés-do-chão, quando ainda me faltam dois vãos de escadas para subir antes de entrar em casa, é absolutamente anormal!".

Depois de umas semanas em que era só cansaço, aguentei três dias mesmo muito maus, e em que a primeira coisa que me apeteceu fazer quando acordei, foi chorar (e chorar muito). Depois disso, numa dessas manhãs, vesti o casaco e calcei as botas (ainda de pijama), pedi ao homem para esperar uns 15 minutos antes de ir para o trabalho e ficar com o miúdo, e fui à farmácia mais próxima. Renasci. 

Não volto a ser estúpida ao ponto de ignorar o que faz falta ao meu corpo. A partir deste ano, mal se comecem a encurtar os dias nos próximos Outonos, vão-se começar a tomar Vitaminas e Minerais cá em casa (homem e cria incluídos)!. 


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Desesperos matutinos

Sabem aqueles provadores nas lojas de roupa, que são um bocadinho maiores do que os outros? 

Não servem para pessoas que vêem mal ao perto, nem para miúdas que precisam de espaço.

Servem para pessoas que, como eu, transportam pequenos veículos com pequenas pessoas lá dentro, por exemplo. Por isso, à menina que ali está a experimentar calças há mais de meia hora, desejo-lhe que nenhumas lhe sirvam. Parva.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Ando aqui arreliada com uma coisa...

Como é que eu explico ao meu homem, sem parecer uma besta consumista, que é normal tirar do closet a roupa de Verão e substituir pela de Inverno? E que quando chegar o calor, o processo se vai repetir, mas inversamente? 

Uma pessoa não pode ter todo um amontoado de t-shirts e tank tops enfiadas no meio dos casacos e das jumpers (que chique, três estrangeirismos numa frase só). Faz-me confusão às vistas, e para além disso, é contra-producente. Se eu já perco mais de 20 minutos para decidir o que vou vestir quando aquilo está devidamente organizado...

Ele liga tanto a estas coisas como eu a figos maduros, mas o espanto dele quando me vê a fazer isto,  ainda me faz sentir culpada até à última camisolinha de malha que mora no meu armário. Oh! (estalar de língua) Tenho lá culpa que a roupa dele caiba quase toda na minha gaveta das cuecas... 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

E para o Sócrates não vai nada, nada, nada?

Não, que agora não me apetece.

Portugal vs Suécia #1

Olha, agora estou inspirada.


Portugal


vs 
Suécia




Suécia vs Portugal, a questão da natalidade e educação

Ter um filho num país que não é o nosso, traz-nos sempre uma série de questões, dúvidas e medos. Quando decidimos que o pequeno A. ia nascer e crescer aqui, decidimos desbravar tudo isso, e fazer com que o processo fosse o mais suave possível. 

Uma das coisas que ninguém pode negar como vantagem a este país, é o seu fantástico apoio à natalidade. A licença de maternidade/paternidade de cerca de 14 meses e todos os apoios dados durante a gravidez e diferentes fases de crescimento dos miúdos (a nível social e de saúde, e também o apoio dado aos pais no campo profissional), são de facto muito apelativos. Com um sistema de educação gabado mundialmente (em relação a alguns aspectos ainda torço o nariz) e uma multiculturalidade imensa, introduzida nas escolas desde muito cedo, poucas são as razões para não preferir este país ao meu.

No entanto, e como alguém que (ainda) ama o seu país, tenho pena que o meu filho não cresça a cantar cantigas em português na escola, a saborear o nosso bom tempo e a lambuzar-se em pastéis de nata numa esplanada, ao fim-de-semana. Ainda me questiono sobre se pelo facto de estar com os avós e os tios só duas vezes por ano, e por apenas falar com eles via Skype durante o resto do ano, vai ter a forte ligação com eles que nós tanto queremos que ele tenha. Se vai gostar de fado. Se vai gostar de comida portuguesa. Se vai sentir o prazer que os pais sentem quando vêm a praia. Se vai ser um ser humano caloroso e simpático, como quase todas as pessoas que vivem naquele rectângulozinho enfiado Atlântico adentro... 

Mas na verdade, como aluna de doutoramento e cientista, quando o assunto é ter filhos (e sempre que falamos cá em casa sobre ter o segundo filho), fazê-lo em Portugal está totalmente fora de questão. Por todos os direitos que nos faltam enquanto investigadores, pela quase impossibilidade de tratar o assunto "filhos" como parte integrante das nossas vidas sem ter que sofrer consequências, e também porque não consigo sequer imaginar o que seria deixar um filho com 4 meses num infantário (tenho por todos os pais que enfrentam essa realidade, um profundo respeito). 

Assim sendo, há que ter como prioridade a adaptação ao nosso país de acolhimento. Tentar descobrir quais são as diferentes formas de comunicação e línguas que ele vai aprender na escola. Perceber que o clima não é entrave a nada, e saber escolher o equipamento térmico que tem que o acompanhar durante o inverno (a escolha do carrinho já foi uma grande lição) para ele poder brincar lá fora, mesmo com temperaturas negativas. Ficar a conhecer as comidas e sabores que ele ainda não experimentou, e aos quais vai ter que se habituar entretanto. Aceitar a forma como ele vai aprender a tratar a maioria das pessoas no seu dia-a-dia (cá em casa e em casa dos nossos pais, fazemos questão de manter o calor característico do sul da Europa). 

Todos os nossos dias passam cada vez mais por esquecer as saudades que teimam em aparecer, e aceitar que as raízes que nos ligaram (e ligam) a Portugal, vão ter que se ligar agora à Suécia. Nem sempre é fácil, mas também não é o fim do Mundo. O Natal está aí à porta, e as saudades vão à vidinha delas não tarda nada. 


Ah, hoje está sol!! Achei por bem dar-vos esta informação =) Alguém se apercebeu dos raios de sol que acabaram de invadir este blogue? 

Tenham um resto de bom dia!
M.

Mãe sofre

Uma colega minha, uma vez disse-me que deixar os filhos em infantários provoca dor física. Eu não deixei lá o meu, mas a visita e a ideia de que daqui a uns meses é ali que ele vai ficar, enquanto a mãe e o pai vão à vidinha deles, acabou de dar todo um novo sentido àquela frase. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Sobre o tempo

Eu não vos queria chatear com isto, mas vai ter que ser.
Eu já vos tinha dito que no que toca às condições meteorológicas do país em que vivo, isto está assim  a pedir que desate toda a gente a cortar os pulsos e a tomar comprimidinhos para dormir em quantidades pouco desejáveis. 

Mais do que um céu que está sempre, SEMPRE cinzento, uma chuva miúdinha que podia ser neve (ao menos tinha piada) e um frio que nos chega até aos ossinhos mais pequenos, o pior é mesmo a falta de luz. Nunca nenhum inverno me afectou tanto quanto o deste ano. Por enquanto, fica de noite às 16h. Não é muito mau, mas já é esticar bem a corda para o meu gosto. 

Descansem, não fiquem a achar que me vou mandar desta para melhor por causa disto. Ainda tenho muito amor à vida, e não há-de ser um inverno escuro que mo há-de tirar. 

Pelo facto de não querer andar com o miúdo à chuva, e porque eu própria congelo em menos de nada quando saio (na verdade, no que toca ao frio, o miúdo é o que se safa melhor...no seu carrinho à prova de condições polares e tudo e tudo e tudo. Mas não deixa de me pesar na consciência andar com ele debaixo de chuva), acabo por ficar muito mais tempo em casa do que em invernos anteriores. E, pois claro,  uma pessoa começa a achar que está a ficar cu-cu. Os dias são todos iguais, os candeeiros que se ligam aqui por casa a determinada hora do dia são os mesmos, a partir das 17h já começo a achar que, se calhar, já vestia o pijama (na verdade, às vezes não o tiro) ou que já ia fazer qualquer coisa relacionada com a hora de ir para a cama (tipo dar banho ao miúdo, preparar-lhe o biberão, recostar-me na cama a ler um livro e beber chá). 

Pára tudo! 
Quero Primavera, já!

Aquilo que quebra mesmo esta má disposição são as corridas. Nos dias em que tenho que ir correr (sou muito rígida no que toca aos planos), começo a mentalizar-me que é para ir correr nesse dia logo ao final de almoço. A roupa que uso para treinar começa a ser seleccionada lá para as 3 da tarde, e tudo fica pousado em cima da cama até à hora de sair. É isto, ou então não há mesmo nada que me valha. Para ajudar, tudo o que são lojas, cafés e locais em que tanto gosto de me sentar a ver a vida passar durante a Primavera e o Verão (só este pensamento já me aquece a alma), fecha por volta das 16/17h. Nem vou comentar. 

Outra coisa que também leva a má disposição para longe são as brincadeiras com o miúdo. Enchem-me a alma, para falar verdade. O problema é que ele também faz sestas. E não é fixe, porque eu depois venho para aqui dar-vos cabo da cabeça. 

Se calhar, dá para perceber que estou um bocado avariadinha da cabeça por este post. 
Mas olha, que se lixe. Vou ali regar as plantas e contar-lhes um segredo, e já venho. 


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Imprensa cor-de-rosa ao rubro

Pronto, pronto. Acabem-se as preocupações, as dores nas cruzes e na alma, a inquietação e o temor.

A Júlia Pinheiro já saiu do hospital! 

(Acalmem-se lá com as fotos da senhora a sair do hospital também. Ela está com ar pouco saudável e escrever que ela está óptima na legenda da foto, não resolve esse facto)

Nem quero acreditar

Fiz o homem feliz com um prato de frango grelhado com muitos legumes cozidos.

É tão bom ver o que a miúfa (medo, medinho, mariquice) faz a uma pessoa. 

Tenho em mim todos os sonhos do Mundo

Um deles é dormir até às 9 da manhã, nem que seja só uma vez...





Tenham um rico dia! Eu por aqui vou ver se me aguento.
M.

Terapia é...

...pegar no meu filho ao colo antes de ir para a cama. Ele olha-me com um grande esforço, de olhos quase fechados, pousa a cabeça no meu ombro, fecha a palma da mão depois de apanhar algumas madeixas do meu cabelo e começa a cantarolar a sua própria canção de embalar ao meu ouvido.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Eu vivo com uma pessoa doente

Há três dias que o homem acha que vai morrer. Tudo começou com uma dor na barriga, do lado esquerdo. A minha primeira reacção quando ele me disse o que sentia foi: "Oh! Isso são gases, não stresses". Entretanto a dor não passou, e ele começou a ficar cada vez mais preocupado. Mas tipo, paranoicamente preocupado. Devorou sites sobre o assunto (que é só aquilo que nunca se deve fazer), começou a falar em dinheiro, e no que poderia acontecer comigo e com o miúdo caso ele morresse. Tirou três dias de baixa para estar em casa a pensar no assunto (não foi para mais nada, porque a dor que ele sentia era apenas um leve incómodo). Abraçou-me mais vezes nestes três dias do que numa semana inteira, e disse-me muitas vezes que eu era uma super mãe, que gostava muito de mim e do nosso filho, que tinha orgulho em mim e no que temos. Teve pelo menos três episódios de pânico, em que um "Eu sou tão novo, porquê eu??" lhe saiu em tom de desespero, enquanto lavava a loiça do jantar.



Os homens são tão maricas.






Entretanto já foi ao médico, já tratou de fazer análises e está agora à espera dos resultados. Está também a antibiótico, para tratar a suposta infecção que lhe causa dor abdominal. Está com um certo orgulho que eu não percebo muito bem, no facto de ter acertado no diagnóstico. Na verdade não era difícil. Ele descobriu na net quase tudo o que era possível ter na região abdominal causado por aquele tipo de dor. Parabéns.


Olá, Endorfinas!

Ontem consegui finalmente mexer o rabo, para além das idas ao parque com o miúdo ou das idas ao supermercado. Equipei-me e saí de casa a achar que não ia conseguir fazer nada de jeito, e acabei por conseguir correr 7 kms e ainda fazer algum exercício antes e depois. Não sendo espectacular, é bom para quem estava há uma semana praticamente parada e voltou a estar verdadeiramente activa há pouco mais de um mês.

Para quem chegou ao blogue recentemente, eu vou-vos fazer um breve resumo de como é que esta tipa lida com a actividade física, seja ela de que tipo for. Eu sei que as cenas fitness, crossfit e o camandro andam a invadir Portugal. Ainda bem. Antes isso do que um vício mau qualquer. Mas não é por isso que o estou a referir aqui. 

Primeiro, eu não sou fanática por desporto, nem nunca fui. Faço o que posso, quando posso, sempre que posso. E apenas por uma razao: porque me faz sentir super bem. Equilibram-se os níveis de Endorfinas no corpo, e consequentemente acabam-se os "cravings", ou desejos se preferirem (coisa que me atormentou durante grande parte da minha vida e me fez andar constantemente às turras com a balança). Para além disso, as dores musculares e cervicais que derivam de uma postura incorrecta mantida no trabalho vão à vidinha delas, bem como a má disposição que o mau tempo possa causar e o stress. 

Quando vivia em Portugal não ligava muito a estas coisas. Tinha noção de que me fazia muito bem estar ao ar livre e ter tempo só para mim. Fazia muitas caminhadas terapêticas (nos meus tempos de faculdade, tive o Mondego como conselheiro), mas era mesmo só isso. Não dava para muito mais porque na altura também fumava. Nunca levei a coisa muito a sério e vivia num stress que não tinha fim. 

Quando me mudei para a Suécia, abriu-se todo um novo Mundo à minha frente. 

Para começar, é rara a pessoa que vá para o trabalho de carro. Usa-se a bicicleta para isso, e para quase tudo o resto. E não, o mau tempo não é desculpa para apanhar o autocarro ou ir de boleia para o trabalho. Com temperaturas negativas, há sempre bicicletas nas ruas. Só quando há um nevão inesperado, ou não houve tempo para preparar o piso das estradas para as bikes, se deixam as ditas cujas em casa porque, aí sim, é muito perigoso. 


Depois, é toda uma cidade que a partir das 17h, quando regressa a casa do trabalho, volta a sair de casa para correr. Entre mães que se revezam com os maridos para ficar com os putos em casa enquanto elas (e eles) correm, a casais que simplesmente preferem trazê-los nos carrinhos (é a forma mais eficaz que conheço de os por a dormir em menos de nada) e correm juntos, adolescentes que correm em grupo, pessoas que eu acho que para alguém que se parece com um dos meus avós, se mexem mais do que eu. Antes das corridas, fiquei fascinada com os ginásios, que ao contrário do que acontece em Portugal, não são um luxo (um mês de ginásio em Portugal dá para pagar mais de 5 meses de ginásio aqui). Depois, quando achei que já tinha experimentado de tudo lá dentro e me faltaram desafios, dei corda às sapatilhas e comecei a correr. Depois de umas 3 semanas a achar que aquilo não era para mim, que não tinha resistência nenhuma e que nunca ia conseguir muito mais do que aquilo, comecei a fazer progressos a olhos vistos. Tive direito a algumas lesões durante o processo, por parvoíce preguiça de fazer um aquecimento adequado. Mas para além disso, as corridas só me trouxeram benefícios. 


Depois de uma gravidez em que não quis saber da balança para nada e em que mergulhei numa piscina de hormonas que me fizeram devorar o equivalente a meia Alemanha em chocolates (e ganhar 26 kgs de pura felicidade), e durante a qual a minha actividade física reduziu bastante (só andava de bicicleta, o que fiz até aos 7 meses de gestação, e caminhava), sabe muito bem voltar a estar activa. 

No mesmo dia em que tive luz verde do médico para voltar a correr (há aproximadamente um mês), voltei a dar corda às sapatilhas e é maravilhosa a sensação. 


Olá novamente, Endorfinas!! =)